segunda-feira, 12 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
sexta-poesia
ontem mesmo
vi descer do céu
um cone de nuvem de chuva
e subir do mar
a tormenta do vento
na água
magia forte
beleza exuberante
sente-se por dentro
a potência da natureza
a eletricidade
a voracidade dos fenômenos.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
reflexões acerca da Arte Contemporânea
"O olhar cotidiano traz a apreensão do real numa políptica relação eu-mundo, onde tudo o que se faz é passível de ser."
terça-feira, 19 de julho de 2011
cesta-cheia-de-poesia
as cestas
aquelas das poesias perdidas
já não têm o mesmo efeito
não deságuam a enxurrada do ventre
(úmido e florido)
cresceram como jatobás
e abrigam ninhadas de plumas
desgovernam os sentires
(isto sim!)
mas transformam o tempo
no desaparecer das idéias
as cestas
aquelas das poesias precoces
perversas
se amaram sem pressa
fincaram-se noutros dias
na vastidão de um olhar moreno
impróprio
longínquo
eterno
são o que nos grudam à realidade
são o que nos desbotam a realidade
da maneira mais preciosa
silenciosa
aquelas das poesias perdidas
já não têm o mesmo efeito
não deságuam a enxurrada do ventre
(úmido e florido)
cresceram como jatobás
e abrigam ninhadas de plumas
desgovernam os sentires
(isto sim!)
mas transformam o tempo
no desaparecer das idéias
as cestas
aquelas das poesias precoces
perversas
se amaram sem pressa
fincaram-se noutros dias
na vastidão de um olhar moreno
impróprio
longínquo
eterno
as cestas
estassão o que nos grudam à realidade
são o que nos desbotam a realidade
da maneira mais preciosa
silenciosa
sábado, 25 de junho de 2011
QUEM?
quem é que te faz sonhar estes sonhos azuis?
quem é que emaranha teus cachos para os sonhos se bagunçarem na cabeça?
quem é que sorri lá de longe e te faz amolecer de rir?
quem?
quem é que emaranha teus cachos para os sonhos se bagunçarem na cabeça?
quem é que sorri lá de longe e te faz amolecer de rir?
quem?
quem é que grita dentro desse coração selvagem?
segunda-feira, 13 de junho de 2011
fotografia dos sentidos XL
Arte: F. Minto
a cada vez que me olhava no espelho
aparecia uma outra figura;
alguém que se encontrava fora de mim;
alguém que permanecia sob a ótica cotidiana;
era alguém que nevava flocos de sol rasgado –
sol sertanejo e erudito;
era alguém cujas asas pontiagudas
tinham um friso vermelho e grosso,
como veia.
a cada vez que me olhava no espelho,
descobria,
e eu própria me amanhecia.
agora só dissolvo e refaço:
não me desgrudo da minha imagem.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
claridade
Sento-me à sombra, parecendo que as cores são mais vivas, tridimensionais. Há a impressão de que a cor de cada coisa foi colocada lá, na coisa, e esmagada na superfície como quando se esmaga um giz pastel sobre uma folha de papel branco: intensidade absoluta, tão cheia de luz, que é quase triste quando chega ao coração.
Daqui, tenho vontade de dilacerar toda a boniteza que vejo: morder, rasgar, amassar; como se possível fosse penetrar o íntimo de cada coisa, entrar na essência, absorver a vida de cada coisa.
Na claridade... perco a noção do meu limite físico, minha existência se dilui nas outras existências. Tornamo-nos uma união plasmática. Meus pensamentos já não são meus: eles se espalham, desvirtuam-se em fragmentos de outras matérias, entram nas coisas. É como se de mim, e de cada coisa, emanasse uma lava de nós mesmos, que vai se encontrando e se unindo, formando um grande tudo. Derretido e mudo.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
antes da sexta-poesia
brota
de mim
orvalho da noite apagada
seriam inteiras
as pétalas aos meus pés?
seriam vazias
as noites dos ontens antigos?
meus olhos sempre procuram
um azul luminoso
um brilho de onda
uma cor quente pro inverno
canções de Paulinho
pra colar nas artérias
de mim
orvalho da noite apagada
seriam inteiras
as pétalas aos meus pés?
seriam vazias
as noites dos ontens antigos?
meus olhos sempre procuram
um azul luminoso
um brilho de onda
uma cor quente pro inverno
canções de Paulinho
pra colar nas artérias
terça-feira, 31 de maio de 2011
as lembranças da casa rosada
não são minhas
perpassam meus sonhos
como algumas sombras de rugas
ao redor dos olhos
- vívidos e brilhantes –
reflexos de luz do luar
cheiro de piscina
nos cabelos
na cozinha
estou mais pra verde-e-rosa
do que paredes de um sol envelhecido
as insistências mouras
de meu ser
colorem minha tez
intensificam meu sal
corroem o cloro das lembranças inventadas
terça-feira, 17 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
De que parte de mim pode vir ou resplandecer este obscuro prazer em estar no limiar inexistente entre o certamente e o não; que de nenhuma forma tende ao improvável, sendo sempre levado ao cerne do alvo eco-regimentado que é a procedência ou a congruência de objetos, de desejos, e dos sopros de infindável leveza e prazer que regem sem cálculo os odores latentes destes, e não de outros, homo-sapiens-demens?
Desde quando, e por onde, e com que motivo tende este espectro, esta sombra, esta névoa feminil, a cogitar em possível êxtase inexplicável (e impalpável até) a improvável serenidade que permeia a mais comentada metamorfose maternal?
É acreditável a despreocupação e quase sorrível possibilidade de gerir vida?
O que se faz quando a percepção está acima da razão, e esta se estabelece em estado letárgico, fazendo-se despercebida e incondicionada; quando o mundo, a vida, dá a sensação de que nada mais deveria ser feito além da insustentável necessidade de apenas ser, humanamente, regido pelos instintos mais fugazes, mais selvagens, mais primais; quando o medo não é mais medo algum, é motor; quando as vontades, aquelas que fizeram voar o primeiro homem, a primeira bruxa, são viris, aguçadas, e são, uma a uma, alimentadas, desfeitas, e ressurgem como dinossauros?
O que se faz quando tudo (tudo) que deu sustentabilidade à existência, à sobrevivência, que fez mover ondas, caminhos, correntezas, areais, vendavais, que fez do sonho de voar a poesia mais doída, que fez da doença do sentir a intensidade do olhar, que fez das lágrimas, dos berros e dos soluços milhões de palavras soltas que bateram ao encontro de corpos quentes e necessitados; o que se faz? o que se faz com o desnecessário que isto se tornou? o que se faz com esta plenitude incongruente que afugenta o esfacelar alimentício do prazer mental e da alma corroída, que somente parece carregar consigo o que de simplesmente belo há no olhar, no estar, no existir sem pressa? o que se faz com o colorido ameno e eletrizante que apenas sabe se fazer num rastro de pureza aveludada?
O que é isto, meu deus, que me toma sem doer, que acomete sem afugentar, que cresce na epiderme sem dilacerar os tecidos, que trama, enovela, urge, surge, encrua, anoitece, envaidece, esverdeia, liquidifica, sonoriza, respira, enlouquece, desvaira, enraivece, desmantela, enleva, dissocia, aprisiona, acorrenta, adiciona, enlameia, corporifica, desmistifica, ressurge, permanece, deseja, arde, sustenta, queima e não esvai, gruda, amacia, lambe, continua?
terça-feira, 10 de maio de 2011
Fotografia dos Sentidos XVI
Arte: F. Minto
no esfumaçado colo de si mesmo
perdeu-se em insanidade.
romper as paredes do corpo
não lhe cabia.
percorreu fluxos incansáveis de vida
dentro de um único lar.
explodir em asas gigantescas de lagarto
foi a sobriedade que lhe restou
para libertar-se.
terça-feira, 3 de maio de 2011
no hay banda
silêncio
jorro espetacular
de navalhas
afiadas
como furar o sol
que se espatifa
em lâminas de gelo
silêncio de pavor
silêncio de amor
silêncio de umas palavras
gritadas
que emudeceram
congeladas
silêncio
o tempo
suspenso do tempo
o tempo
que cai, sem mais,
que cai, sem mais,
por fora de mim
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