a lua andava pela rua
abdusida pela mansidão da noite escura,
trupicando em estrelas despencadas e
em nuvens moribundas esparramadas.
fumaças entre as curvas da esquina
revelaram (com o passar das horas) à primeira fita -
encarnecida, guardando a noite ainda em seus lilases -
o sol, no auge de ser métrico e círculo
quando então ouro e prata se puseram a caminhar
em forças opostas, sem nunca poderem se encontrar,
mesmo que sempre tentados pela tentação de se arruinarem
pelos seus brilhos adversários.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
sexta-poesia
Te encontro na delicadeza.
Vês o mínimo do mundo.
E foi nessa simplicidade que te encontrei
Que te vivi
Te respirei.
O belo na menor beleza
No que é natural
Nada que não seja exatamente
O que é: essencial
Vives a verdade límpida
E nela vi tua singeleza
Foi nessa trilha de pequenas
Pedras e insetos
Que segui teu rumo
Que apreendi outro tempo:
O tempo da verdade do mundo
O tempo da menor distância emocional
Um tempo sem medo
Que pisa a terra, a grama, e chove
Te encontrei num raio de um sol primaveril
Difuso
Me perdi num olhar aguado de ontem
Não sei cadê a grama em mim
terça-feira, 11 de maio de 2010
é uma manhã marrom - por Thomas Carmona
é uma manhã marrom
não é tão cedo
ele sai para o trabalho
o carro combinando com a camisa
ele veste um cadillac
"verdillac"
o dia está quente
o carro a cabeça
quinta feira
e não quer nada daquilo
se decidiu sentindo o sangue nas orelhas
a "volta quebrada"
o SEU lado da cidade
mas um lado não muito visitado
ele revive as praças
e as palestras das árvores
a gravata amarela
o sorrisinho invisível mas branco
Que se dane! "Viva o partido liberal"!
segunda-feira, 10 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
cold water
não há quem diga que estou errada, apenas seguro
o travesseiro;
sugo suas penas como água corrente.
nobody knows that I'm not in the rhythm; nobody wants to know that there are no fear in my dreams;
my mind is full of cold rain
the river in me is true and rare; some black stones, some birds, any drop water flowing trough many clouds
toco o chão levemente apenas quando ouço Chet Baker
não adianta tocar o telefone,
são aranhas roçando a linha
um ouriçar da pele pelo novo fonema inscrito
na agulha
tattoo your skin, babe; freak me out;
listen what I'm saying: love's not so clear.
the lamp's flashing and work's almost ending
like that music: turn of the lights
seja quem for, há crocodilos rastejando
pra fora da água
sincerely,
the sky is less blue than seen with your eyes
o travesseiro;
sugo suas penas como água corrente.
nobody knows that I'm not in the rhythm; nobody wants to know that there are no fear in my dreams;
my mind is full of cold rain
the river in me is true and rare; some black stones, some birds, any drop water flowing trough many clouds
toco o chão levemente apenas quando ouço Chet Baker
não adianta tocar o telefone,
são aranhas roçando a linha
um ouriçar da pele pelo novo fonema inscrito
na agulha
tattoo your skin, babe; freak me out;
listen what I'm saying: love's not so clear.
the lamp's flashing and work's almost ending
like that music: turn of the lights
seja quem for, há crocodilos rastejando
pra fora da água
sincerely,
the sky is less blue than seen with your eyes
sexta-feira, 30 de abril de 2010
SEXTA-POESIA
a girl with a burning hair.
nothing more in the earth:
just a small town of snakes,
lizards in the backyard,
a cat yawning and falling in the pool,
some flowers brokedown
and a girl with a burning hair
runs over her own mind.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
SEXTA-POESIA
era uma sexta sem pétalas
um dia forte
odoroso
de atmosfera baixa e úmida
daqueles que a gente sente como que quase pertencendo ao tempo
- o tempo deste dia era manipulável como argila –
era uma sexta sem momento pra poemas
energia racional
nada de imagens mentais
apenas concretude
- tudo como se a gente pegasse com as duas mãos –
era uma sexta
e esta se foi com precipitações gotejantes
de limão e amêndoa
um doce refúgio quente por dentro do corpo
(acalanto de poeta)
de um risco vieram as cores cansadas
- não se pega mais nada que não seja orvalho -
um dia forte
odoroso
de atmosfera baixa e úmida
daqueles que a gente sente como que quase pertencendo ao tempo
- o tempo deste dia era manipulável como argila –
era uma sexta sem momento pra poemas
energia racional
nada de imagens mentais
apenas concretude
- tudo como se a gente pegasse com as duas mãos –
era uma sexta
e esta se foi com precipitações gotejantes
de limão e amêndoa
um doce refúgio quente por dentro do corpo
(acalanto de poeta)
de um risco vieram as cores cansadas
- não se pega mais nada que não seja orvalho -
segunda-feira, 19 de abril de 2010
SEXTA-POESIA
talvez fosse esta a sensação que quiseste me fazer sentir...
como se em poucos minutos eu fosse lançada a um espaço de tempo
muito além do agora
- o agora de uns dias atrás -
nos dias em que as poucas horas eram meses de convivência
em que os sorrisos e risos e abraços
percorriam as vidas que não existiam ainda,
mas que esboçavam vontade
é a sensação de flutuar sem rumo, contra o vento
num vazio de conforto instável
tocando o chão com força em aterrissagens sem cálculo
na intenção de alcançar o espaço próprio
o tempo do crescimento das unhas
o local dos desvarios solitários
talvez fosse esta a sensação que quiseste me fazer sentir
a de estar no lugar da irrealidade dos sentires
de não pertencer ao profundo
a de não me sentir selvagem
tome de mim a mão, a seiva, o caos
tome a incongruência, o santificado, o abismo
tome a segurança do olhar, a boca, o erotismo
segure contigo a minha bolsa, o teu cigarro, a minha blusa
não largue nada
não abra as mãos
não afrouxe os braços
não arqueie os joelhos
permaneça em ti
que te solto ao léu
que te afago o rosto com as mãos azuis e lúcidas
na desmedida necessidade de aprender o nada.
como se em poucos minutos eu fosse lançada a um espaço de tempo
muito além do agora
- o agora de uns dias atrás -
nos dias em que as poucas horas eram meses de convivência
em que os sorrisos e risos e abraços
percorriam as vidas que não existiam ainda,
mas que esboçavam vontade
é a sensação de flutuar sem rumo, contra o vento
num vazio de conforto instável
tocando o chão com força em aterrissagens sem cálculo
na intenção de alcançar o espaço próprio
o tempo do crescimento das unhas
o local dos desvarios solitários
talvez fosse esta a sensação que quiseste me fazer sentir
a de estar no lugar da irrealidade dos sentires
de não pertencer ao profundo
a de não me sentir selvagem
tome de mim a mão, a seiva, o caos
tome a incongruência, o santificado, o abismo
tome a segurança do olhar, a boca, o erotismo
segure contigo a minha bolsa, o teu cigarro, a minha blusa
não largue nada
não abra as mãos
não afrouxe os braços
não arqueie os joelhos
permaneça em ti
que te solto ao léu
que te afago o rosto com as mãos azuis e lúcidas
na desmedida necessidade de aprender o nada.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 31 de julho de 2009
o voo da libélula
o voo da libélula é a marca do tempo que rasteja
de poesia em poesia
geram-se nuvens de sensações
precipitações de abraços
o tempo afunda passos na areia
são as sombras das vidas
de poesia em poesia
geram-se nuvens de sensações
precipitações de abraços
o tempo afunda passos na areia
são as sombras das vidas
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Tear
tecendo
meu coração batia música barroca
da única janela
soprava
cheia de penas
a brisa
que refrigerava o calor do corpo selvático
como que num nó de meada azul lufou o sal
lembrei que era mar
me derreti em fios de água pra tear
meu coração batia música barroca
da única janela
soprava
cheia de penas
a brisa
que refrigerava o calor do corpo selvático
como que num nó de meada azul lufou o sal
lembrei que era mar
me derreti em fios de água pra tear
Assinar:
Postagens (Atom)
