sexta-feira, 9 de março de 2012


quero ser aquela imensa pedra
- densa dura -
com uma fenda cosmogônica e vital

namorar o musgo
que se adere tal qual pentelhos
e todo o corpo nu ao céu
tostado e quente

das ondas a espuma de sal e sol
jorra
e da estreita fenda
escorre
água profunda da Terra


para o deslumbre dos lábios da praia

sábado, 3 de março de 2012


hoje
preciso do que não me é
preciso de mais palavras sujas em bocas abertas
preciso de mais passos despropositados numa dança inventada
preciso do cinza   do cigarro   do incompleto   do antagônico
preciso do deboche
da gargalhada alta sem limites
                                  incorreta
preciso do que é bruto
                                 cru
                                   nu
preciso do vivo em carne viva
do sublime que rasteja
da devassidão
do bestial
preciso do avesso
da baixeza
do ignóbil
preciso me ver pelas vísceras
para conseguir viver minhas idiossincrasias extremas


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Caros amigos que compartilham destes momentos de pinceladas poéticas, 
a falta de postagens deve-se ao fato de eu estar debruçada em uma publicação, que deverá estar disponível na Livraria Potti Digital (www.potti.com.br) em não muito tempo.
Assim que conseguir encaminhar o livro estarei de volta com assiduidade e mais paisagens mentais.
Um abraço e muito carinho a todos vocês que sempre estão por aqui buscando conhecer estas imagens da vida, que vos ofereço.
Até logo!
KK

segunda-feira, 19 de setembro de 2011


quando me vi aqui
num sistema umedecido e aberto
sofrendo vento por dentro e por fora
dependurada em pedras cobertas por cracas suadas de sal
não sabia ainda voar de verdade
- eram falsas asas de argamassa pesada –
odor craquelado de uma piscina fictícia, como Walt Disney

aqui,
nesta terra que carrega verde
que esconde azuis translúcidos
que esperneia água água água...

transpiro   respiro   absorvo
- tangerina doce
Penso   resolvo   transtorno
- nuvens correntes
amo   enlouqueço   me largo
- sinceridades amenas de rio

neste lar que se tornou,
ardor de manhã quente
café de grão real
cabelos alvoroçados de desejos incontidos

sou mais rastejante,
com o ventre na terra molhada de ar
nos becos não vistos do jardim
em peles absortas de uma garoa boa de sorrir

degusto lábios,
e num gesto toco o âmago da pedra

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

meus poemas
poderiam se formar pelas palavras que
explodem
para fora do meu cérebro

poderiam corresponder
ao belíssimo espetáculo deste transcendente dia
que se desanuvia na terra

pintassilgos e quaresmeiras
poderiam ser poemas com pássaros

o que jorra mesmo de mim
são labaredas de energia viscosa
e cores sibilantes na retina

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

sexta-poesia
















ontem mesmo
vi descer do céu
um cone de nuvem de chuva
e subir do mar
a tormenta do vento
na água

magia forte
beleza exuberante

sente-se por dentro
a potência da natureza
a eletricidade
a voracidade dos fenômenos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

reflexões acerca da Arte Contemporânea


"O olhar cotidiano traz a apreensão do real numa políptica relação eu-mundo, onde tudo o que se faz é passível de ser."

terça-feira, 19 de julho de 2011

cesta-cheia-de-poesia

as cestas
aquelas das poesias perdidas
já não têm o mesmo efeito
não deságuam a enxurrada do ventre
(úmido e florido)
cresceram como jatobás
e abrigam ninhadas de plumas
desgovernam os sentires
(isto sim!)
mas transformam o tempo
no desaparecer das idéias

as cestas
aquelas das poesias precoces
perversas
se amaram sem pressa
fincaram-se noutros dias
na vastidão de um olhar moreno
impróprio
longínquo
eterno

as cestas
estas
são o que nos grudam à realidade
são o que nos desbotam a realidade
da maneira mais preciosa

silenciosa

sábado, 25 de junho de 2011

QUEM?

quem é que te faz sonhar estes sonhos azuis?
quem é que emaranha teus cachos para os sonhos se bagunçarem na cabeça?
quem é que sorri lá de longe e te faz amolecer de rir?
quem?

quem é que grita dentro desse coração selvagem?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

fotografia dos sentidos XL

Arte: F. Minto
a cada vez que me olhava no espelho
aparecia uma outra figura;
alguém que se encontrava fora de mim;
alguém que permanecia sob a ótica cotidiana;
era alguém que nevava flocos de sol rasgado –
sol sertanejo e erudito;
era alguém cujas asas pontiagudas
tinham um friso vermelho e grosso,
como veia.
a cada vez que me olhava no espelho,
descobria,
e eu própria me amanhecia.
agora só dissolvo e refaço:
não me desgrudo da minha imagem.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

claridade

Sento-me à sombra, parecendo que as cores são mais vivas, tridimensionais. Há a impressão de que a cor de cada coisa foi colocada lá, na coisa, e esmagada na superfície como quando se esmaga um giz pastel sobre uma folha de papel branco: intensidade absoluta, tão cheia de luz, que é quase triste quando chega ao coração.

Daqui, tenho vontade de dilacerar toda a boniteza que vejo: morder, rasgar, amassar; como se possível fosse penetrar o íntimo de cada coisa, entrar na essência, absorver a vida de cada coisa.

Na claridade... perco a noção do meu limite físico, minha existência se dilui nas outras existências. Tornamo-nos uma união plasmática. Meus pensamentos já não são meus: eles se espalham, desvirtuam-se em fragmentos de outras matérias, entram nas coisas. É como se de mim, e de cada coisa, emanasse uma lava de nós mesmos, que vai se encontrando e se unindo, formando um grande tudo. Derretido e mudo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

antes da sexta-poesia

brota
de mim
orvalho da noite apagada

seriam inteiras
as pétalas aos meus pés?
seriam vazias
as noites dos ontens antigos?

meus olhos sempre procuram
um azul luminoso
um brilho de onda
uma cor quente pro inverno

canções de Paulinho
pra colar nas artérias

terça-feira, 31 de maio de 2011

               desejos cristalinos
                       suave manhã
                          de sentidos
                                            orgásmicos

               abocanhar a paisagem
                             lamber a pedra
                                                     molhada

               tuas nuvens
         meus cristais de
                                   onda estilhaçada

              doce refúgio de verão